18:09


Questão 1:

Tema: Composição externa dos Estados Unidos

Bibliografia:

Textos:

Cardim – texto sobre Bretton Woods
Serrano – “Do ouro imóvel ao dólar flexível”
Obs: os dois textos estão no grupo. Para encontrá-los, basta acessar a aba “arquivos”

-Capítulo 7 – Raízes do Brasil (livro completo no grupo)
-Capítulos 7 e 8 – “Política Externa Brasileira” (Henrique Altemani) – não tem o capítulo 7 no grupo, mas lembrar-se dos seminários ajudará nessa parte.

Tópicos principais para a resposta:

-Bretton Woods;
-Padrão ouro-dólar;
-Câmbio flutuante;
-Wall Street: de 1970 aos dias atuais

Anotações:

BRETTON WOODS:

O que foi?
Reunião ocorrida em julho de 1944 entre representantes da Aliança das Nações Unidas (que lutava contra o eixo fascista – Alemanha, Itália e Japão – na Segunda Guerra Mundial). Originou-se de um encontro entre Franklin Roosevelt e Winston Churchill (presidentes dos EUA e da Inglaterra, respectivamente) ocorrido em um submarino no Oceano Atlântico.

Objetivos:
  • Organização do sistema financeiro;
  • Evitar uma Terceira Guerra Mundial;
  • Combater depressões e crises econômicas;

O porquê:
Em 1944, já era possível vislumbrar que o eixo comandado pelos Estados Unidos ganharia a Segunda Guerra Mundial. Com isso, era necessário reorganizar o sistema financeiro e reconstruir os países devastados pelo conflito.

Principais concretizações:
  • ONU;
  • Declaração Universal dos Direitos Humanos;
  • FMI;
  • Banco Mundial.

As propostas:

Pontos em comum entre propostas de John Maynard Keynes e Harry Dexter White:

  • Evitar a guerra;
  • Fazer o comércio mundial;
  • Não deixar que uma nova depressão ocorra.

Keynes:
  • Economista inglês;
  • Defendia que o mercado deve funcionar com liberdade, mas também deve ser regulado pelo Estado.
  • Para Keynes, o mercado é importantíssimo, mas precisa estar equilibrado para favorecer as trocas comerciais
  • Dentro do comércio mundial, as trocas devem ser pagas. Essa moeda de pagamento jamais pode ser doméstica, pois o país que imprimir a “moeda de troca” terá uma vantagem exorbitante dentro do mercado.
  • Para evitar tal situação, Keynes propõe uma moeda escrituraria para o pagamento de tais trocas, o bancor. Essa é uma forma de controle dos mercados, já que todos sabem quanto cada um deve pagar e receber. Através disso, corrige-se déficits dos países e controla-se possíveis crises.
  • Em suma, o método keynesiano garante transparência de mercado;
  • Apesar de ter sido rejeitada em Bretton Woods, a proposta de Keynes é retomada até hoje. Um dos exemplos de sua aplicação foi na crise de 2008 nos EUA. Além disso, a West Union, empresa de tecnologia belga criada em 1980, opera com um sistema de informática transferências pessoais no mundo inteiro, em um processo bem semelhante ao proposto por Keynes.

White:
  • Economista americano;
  • Propõe a criação de um fundo de cotas, cujos participantes serão os países aliados aos EUA (observação importante: isso era extremamente perigoso, pois a exclusão da Alemanha no período entreguerras foi um dos fatores para a ascensão do nazismo. Além disso, os países que estivessem fora desse fundo poderiam criar ações excessivamente protecionistas, um dos ingredientes para a eclosão de uma nova guerra);
  • O FMI (Fundo Monetário Internacional) foi a consolidação da proposta de White, vencedora em Bretton Woods;
  • O órgão nasceu com o propósito de corrigir desequilíbrios no mercado, seja nas contas dos Estados ou trocas comerciais. Não haveria, nesse caso, uma moeda única e escrituraria para realizar tais trocas.
  • As reservas do FMI poderiam ser usadas pelos Estados em caso de crises econômicas, por exemplo;
  • Nos primeiros anos, há um equilíbrio no depósito de moedas, apesar de uma predominância do dólar americano. Com o tempo, a moeda estaduniense torna-se maioria absoluta no FMI, transformando-se na moeda de troca mundial;
  • O economista também propõe a criação do Banco Mundial, cujo objetivo inicial era reconstruir os países destruídos pela guerra. O nome inicial da instituição era Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento (BIRD). Atualmente, o órgão auxilia no financiamento do desenvolvimento dos países mais pobres do mundo.

DO PADRÃO OURO-DÓLAR AOS DIAS ATUAIS:
Segundo SERRANO (2002), o padrão ouro-dólar foi estabelecido no período pós-Segunda Guerra e durou até 1971.

Breve resumo:
·       O padrão ouro-dólar previa câmbio fixo (1g de ouro = 1 dólar). Isso trazia previsão de negócios para as trocas financeiras (as dívidas eram fixadas em um mesmo valor por décadas, sofrendo apenas com o efeito dos juros);
·       Na década de 1960, houve uma grande demanda por dólar, vinda especialmente dos empréstimos do FMI e do dinheiro gasto com a reconstrução dos países. Em determinado momento, já não havia mais ouro suficiente para lastrear a impressão de dólar.
·       Eis que surge o Dilema de Triffin (economista belga que criticou o sistema Bretton Woods), que se resume a essa frase: “se eu não imprimir moeda, não conseguirei financiar nada. Por outro lado, o ouro torna-se um limite para a emissão monetária”.
·       Diante de tal situação, o presidente americano da época, Richard Nixon, resolve acabar com o padrão ouro-dólar, determinando que o preço da moeda seria definido pela lei do mercado (lei da oferta e da procura). Nascia aí o câmbio flutuante.
·       Mesmo com essa mudança, o dólar não perdeu confiança, passando a ser referência de valor para o poder monetário.
·       A França chegou a exigir ouro em troca do dólar que tinha. Nixon, entretanto, negou o pedido e reafirmou que o padrão ouro-dólar era coisa do passado.
·       Foi nesse período que o poder de Wall Street entrou em grande ascensão. Desde então, esse é o coração financeiro do mundo.
·       O poderio financeiro dos Estados Unidos é inquestionável. Situações aparentemente desfavoráveis, como o dólar barato, são formas de regular o mercado a favor dos americanos. Com o preço baixo, pessoas deixam de comprar em seus países e passam a comprar nos EUA, ocorrendo assim um processo de transferência de riquezas.
·       Choque de Wolker: uma das demonstrações do poder de Wall Street. Com elevação das taxas de juros para 21%, vários países latino-americanos quebraram no início da década de 1980.
·       Crise de 2008: provocada pelo uso excessivo do capital especulativo. Um mesmo título era vendido para mais de 30 pessoas, por exemplo. Isso provocou uma verdadeira bolha no mercado imobiliário, já que era impossível pagar tantas pessoas. Em uma medida keynesiana, o governou “assumiu” a dívida e reinjetou dólar no mercado (na prática, quem assume a dívida é o povo, que paga tal valor com trabalho e perdas sociais, como redução de gastos na saúde, por exemplo).

Lembrete:
Câmbio flutuante: determinado pela lei do mercado (lei da oferta e da procura). Quanto maior a procura, mais alto será o valor.
Câmbio livre: não sofre nenhum tipo de intervenção do Estado.
“Se o dólar está muito caro, o Brasil não consegue exportar. Se está muito barato, pessoas compram no exterior e/ou importam produtos americanos, em um processo de transferência de riquezas.”

VOCÊ PODE GOSTAR

0 comentários